
Me incomodava. Não era o suficiente, mas incomodava. Não sei ao certo o motivo, mas minha mente não conseguia se manter quieta naquela noite. Algo surgia em meio a escuridão e a frieza. Algum tipo de vulto.
Sentei. Prendi o cabelo e cocei os olhos. Fiquei olhando para os meus pés por alguns minutos. Não era suficiente tudo aquilo. Algo faltava e eu sabia disso. Tudo se tornou uma rotina em questão de segundos. Não era minha culpa. Mas, naquela noite, eu me lembro que rasguei alguns papéis que estavam na agenda. Não sei se serviam mais. Eram velhos e amassados.
Lutei para ter alguma vontade de dormir. Os travesseiros já estavam ajustados no cantinho. A parede já estava gelada. Era o inverno mais silencioso que vivi durante os meus três anos aqui. Não havia motivos de fechar os olhos. Olhei pela janela, a luz que vinha da rua ainda tentava roubar minhas imaginações. Ela refletia na parede do quarto. Fechei a janela e voltei a sentar na cama.
Decidi que queria um chá de morango mas a preguiça tomou conta. Ela já tinha batido na porta algumas vezes. Talvez fosse um tanto de medo. Eu não gostava de escadas. Era escuro. Ajustei o edredom deixando meus pés de fora. Usava uma meia de cor azul que era até um tanto engraçada. Fiquei olhando o teto por algum tempo e me perdi. Não sei onde fui parar naquele noite. Mas, a única certeza que tenho, é que nem aqui e nem lá nós estávamos.
Um abraço!