27 de jun de 2013

QUINZE INSÔNIAS: MORDOMIAS



Tricotava esperando ele passar. Tentava manobrar os olhares escuros pra não poder enxergar. Não sei o que me deu ou o que me daria. Calafrios e frio na barriga. Um medo que surgia das paredes antigas no quarto pequeno e vazio. Não copiava o teu nome e nem dobrava o papel.

Cinco minutos depois de dobrar o edredom, espreguicei. Tremi os músculos das pernas e bocejei. Não pensava em nada além da manhã que iria aparecer. A luz do sol fazia doer. E esquecer também. Liguei alguma música no celular e procurei por algum fone de ouvido por ali. Era estranho todo aquele clima. Estava úmido e venta. Criava emoções. As fantasias também se preocupavam em surgir e completar a noite. Eu não, sabe? Não, na verdade eu sabia e não tinha interesse em responder.

Um tanto cedo. Era tarde e a vizinhança já dormia, ou, tentava enganar a noite. As luzes das ruas continuavam acesas e a janela do quarto um pouco aberta. Não tinha colocado as cortinas ainda. Estava em mudanças.Talvez, eu até mude também. Ninguém pode prever os próximos segundos. Abraçava o edredom com medo de ficar só. Me sentia só. Era uma tremedeira engraçada até. Fiquei algum tempo olhando meus pés com aquelas meias brancas de listinhas azuis. Ele não passou. Me deixou confusa sem vontade de abrir os olhos novamente.

Era frio lá fora e eu não tinha vontade nenhuma de fechar a janela. A música estava aconchegante. O dia iria amanhecer logo, assim como as minhas vontades também. Então teria que buscar alguma vontade de levantar da cama e fazer um café. Tentei não pensar muito nisso e fiquei quieta. Criava as mais variadas preguiças e abraçava as tuas manias. Volta e meia eu sorria.  Era difícil sentir aqueles ventos gelados e manter a cabeça intacta no travesseiro. 


*Amigos, a Arianne do blog Eppifania ainda não publicou o projeto no blog dela por motivos de saúde. Assim que ela publicar, disponibilizo o link para vocês acompanharem por lá também :-)



Até a próxima quinta!
Matheus Carneiro

Um comentário :

  1. Texto ótimo! As vezes é mesmo difícil "manter a cabeça intacta no travesseiro".

    Abraço!
    http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

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