30 de mai de 2013

IMPLICAÇÕES: ELLEN


Série: Implicações. 

O tempo passava e nada da minha mãe chegar. O colégio era longe e eu não tinha como ir. Sinceramente, não tive um dia tão bom quanto pensei que tivesse. Sentei em um banco em frente ao colégio e fiquei de molho ouvindo música. Minutos depois, o carro parou. Entrei sem dizer nenhuma palavra. Ajustei o cinto e fechei os olhos. A conversa começou quando minha mãe me encara e quer saber do meu dia escolar. As coisas não melhoraram muito lá em casa, então, às vezes eu acho que poderia entendê-la. 

Quando chegamos em casa, senti o cheiro do almoço. A fome apertava enquanto me jogava no sofá. Era uma correria curta. Todo aquele clima pesado continuava sufocando os telhados velhos e empoeirados. Eu estava exausta e procurava um abrigo em meio a tensão. Ela almoçou sozinha, numa mesa que tínhamos no quintal junto à churrasqueira. Não quis cutucar, fiquei quieta. Em segundos ouvi a porta fechar e o carro ligar. Talvez o trabalho dela a esteja consumindo, ou, um pequeno stress. 

Subi para o quarto e tentei me manter segura. Me privava de muitas saídas ultimamente. Não sei o porquê, mas, minha vida estava se resumindo em curtas SMS silenciosas. Minha mente estava instável e eu não sabia o local correto de repousar sem me sentir solta. Eu tinha uma amiga, a única que, depois da minha mãe, foi a primeira a encurtar meu nome, me chamando de Jess. A Ellen, sempre manteve atenções nas tranqueiras daqui. Gostava de quando saíamos para pescar. Na verdade, eu gostava de vê-lo preparando as varas de bambu. Desci as escadas de meia, fui na cozinha e peguei um café. Existiam canecas vazias, assim como palavras também.

Me joguei na cama e tentei observar a fumaça sumir. Não acreditava muito que as coisas melhorariam tão rápido. Na verdade, o que me importava naquela hora, não era a velocidade. Nem sempre ela dá o que fica. Esse vai e vem bagunçava minha intensidade. Era algo meio estressante até. Imaginava a preguiça e a bagunça daquele quarto. Era pequeno, moderninho ao meu gosto. Janelas curtas e lençóis brancos. Travesseiros fartos, com muita acomodação em noite longas. Me recuava do guarda-roupa e dos espelhos. Algumas verdades são apenas minhas, acreditava.

Não durou muito até que a Ellen me ligasse contando as bobagens e idiotices do dia dela. Eu não aguentava aquilo, sério. Como se já não bastasse as minhas turbulências eu ainda carregava um caos que não tinha chamado. Mas eu sempre fui um suporte pra ela, e também sabia de como eu não suportava mais que quinze minutos de blá blá blá, e então desligava o telefone inventando alguma mentira. Ela compreendia, às vezes e odiava as sardas. Me deitava com em um espreguiço de um dia congelo. Nada durava muito tempo naquele dia. Ouvi alguma música que agradece os ouvidos e tentava não me perder nas invenções acústicas.



Continua.

(Matheus Carneiro)

Série: Implicações. 

3 comentários :

  1. Hey Matheus, bom você já sabe que adorei essa serie de textos, não vejo a hora de ler o próximo.

    Beijos
    Pepper Lipstick

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  2. Caramba, desde a imagem até a ultima palavra, você manda muito bem. Ansioso pela continuação...
    http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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