27 de mai de 2013

DORMÊNCIAS


Antes de ler, coloque essa música para tocar: The Wood - Daughter. 

A porta estava trancada. Abri uma parte da janela para contemplar o céu de nuvens cinzentas. Começava a duvidar de que um dia iria levantar dali. Continuei enrolada no edredom marrom listrado. Gostava dos lençóis brancos porque, no final, se tornavam mais gelados que os normais. Minha mente bocejava. A preguiça não largava os meus pés naquela manhã.

Rolei para o outro lado da cama. Me acostumei com aquela posição e liguei a música. Flutuava dentro de espaços vazios tentando encontrar algum tipo de ventania. Eram as mudanças. Talvez a culpa fosse da tentativa de acordar. Eu não estava acostumada com as intensidades. Era frio numa brisa de verão. Ajustei o edredom. Bocejei novamente e baguncei o cabelo. Olhava a parede branca que gritava suavemente. Espreguicei junto com minhas pernas. Me contorcia entre os travesseiros ocos.

Virei para o lado e observei os telhados das casas vizinhas. As nuvens manchadas por pinceis não duravam muito. Batiam na minha porta e eu não dava uma respiração sequer. Não queria levantar, mas também não estava doente para ficar. Encarar a vida lá fora me custava muito perigo. Aqui havia segurança. Era a preguiça e os bocejos. O sono queria minha companhia. Nada de insônias com cafés ruins. Minhas meias brancas grudavam nos lençóis e se perdiam entre si. Continuavam batendo na porta, e por vez, gritaram o meu nome.

Continuei quieta. O silêncio destruía a distância que existia entre mim e a porta. Quase caí da cama ao tentar rolar novamente. Tomei cuidado já que nem toda altura era uma ameaça. Fechava os olhos e esperava a porta ficar quieta junto comigo. Ouvi os passos se afastando. A sonolência me abraçava e juro que eu não a largaria por séculos. Cansei das energias maldosas. Fiquei ali, parada, em estado de dormência. As seguintes três horas se passaram até me fazer perceber que não era uma fantasia. Era uma latência. 

(Matheus Carneiro)

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